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Não aprendi a contar. Pode ser um defeito de nascença  ou mesmo um erro de criação. Seja o que for, nunca disse isso para ninguém. Minha solução foi sempre usar os meus dedos, porque eles ficam visíveis em frente aos olhos e nada passa por eles. Conto agora essa história não porque aprendi os números, mas a relatividade deles. Mesmo assim, continuo preferindo as letras.

Um Comentário

  1. Lembrei de mim mesmo, fazendo prova de concurso, uns anos atrás. As pessoas que viviam me elogiando pelo meu constante bom desempenho em testes desse tipo ficariam atônitas se me visse resolvendo um exercício de P.A. desenhando pauzinhos no canto da folha… eu mesmo me sentia meio débil mental fazendo isso. Mas àquela altura eu já tinha entendido que a matemática é um caso particular de lógica. Muito estruturado e desenvolvido e tratado como algo mágico pelos que a estudam. Isso que fode tudo: tratar algo como mágico significa desistir de entender o algo. Deixar de se achar digno ou capaz de achar a coisa tratada como algo simples, como, no fim das contas, tudo é.


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