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Ele devia ter mais ou menos alguns anos sem décadas para conseguir ver dragões em baixo da escada. Todas as noites, quando sua mãe desligava a luz de seu quarto, ele ansiosamente esperava 7 minutos passarem. Então, deslizava para fora da cama e rastejava até a porta. Pela fresta checava se a luz da sala estava desligada. Desenrolava sua mão em direção à maçaneta e abaixava lentamente. Um pouco mais lentamente. Até que, em certo instante, um suave rangido comprovava que a longa operação de controle respiratório havia chegado ao seu propósito. Ainda mais cuidadoso abria uma fresta que somente seu corpo passaria. Na trincheira, ele se desviava de bombas móveis. E quando menos percebia estava na frente da mais abominável caverna. O silencio, até então tão necessário, começava a incomodar. Assim, ele sabia que estava na hora de enfrentar seu dragão diário, mas nunca encarou. Voltava para sua cama, já andando, já homem, pensando que talvez amanhã.

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